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26 de mar. de 2007

Pecados e Virtudes


Com o intuito de catalogar os vícios e controlar os instintos básicos, foram criados dois tipos de pecados: os perdoáveis com o sacramento da confissão e os capitais, esses sim, merecedores de condenação. Acho que foi uma boa forma que encontraram para nos fazer sentir culpados por estarmos infringindo, a todo momento, um ou dois dos pecados capitais. Em contra-partida, e para que nos sentíssemos ainda mais culpados, a Idade Média nos brindou com as sete virtudes cardinais para que fiquemos olhando para elas e pensemos "como eu estou cada dia mais longe de chegar perto de uma dessas virtudes" . A saber, a luxúria se opõe à castidade, a avareza à generosidade, a gula à temperança, a preguiça à diligência, a ira à paciência, a inveja à caridade e o orgulho à humildade. Analisando friamente os pecados e comparando-os com as virtudes, fica muito fácil despencar para o lado dos pecados. Na verdade, vamos quase que naturalmente para eles sem grandes esforços e sem grandes alardes. Em um piscar de olhos e com uma leveza ímpar uns três já são cometidos de saída. Dizem que a prática das virtudes protege as pessoas contra as tentações dos pecados. Eu particularmente acho que é uma tremenda sacanagem fazer pecados tão simpáticos e atraentes contra virtudes tão inalcansáveis e difíceis de serem praticadas. Quem desenhou esse modelo devia estar com um mau humor do cão naquele dia. Criam-se as ceias de Natal e não pode-se cometer a gula, as espreguiçadeiras colocadas à beira mar não podem conter a preguiça. A Hilux do vizinho não pode contemplar de maneira nenhuma a inveja. Um chefe te aporrinhando o saco não pode te deixar irado. Não se pode ser avarento nem de vez em quando e a luxúria, ah a luxúria que só de ser mencionada já nos leva para os pensamentos mais impuros. Dizem ainda que se colocadas em ordem crescente de santidade, a castidade vem em primeiro lugar, seguida da generosidade e vamos parar por aí que é muito pecado para uma pessoa só sair carregando sozinha, embora eu tenha certeza que nessa, eu não estou sozinha.

22 de mar. de 2007

Monte de letras... palavras que eu gosto


luxúria, travesseiro, bacana, pantufas, cacarecos, esdrúxula, imprestável, paixão, vermelho, cotovelo, impressionante, absolutamente, altamente, discernimento, estelionatário, cabide, vão, intempéries, esculacho, belicoso, edredon, insulto, escafandro, fleumático, rolha, biscoito, madagascar, solícito, Benjamin, incólume, antúrio, enfronhado, proletariado, infame, hediondo, antagônico, bisbilhotar, encarar, ruir, puído, andarilho, inconsequente, catraca, latifundiário, bicicleta, bombeiro, indulgência, clemência, entupido, salamaleque, intuição, justificativa, engodo, achocolatado, denegrir, especular, aturdir, pragmático, rubicundo, malevolência, estigma, fronha e ideologicamente

18 de mar. de 2007

A infelicidade não existe


Demora muito para a gente descobrir que é feliz a maior parte do tempo. Aliás, poderia demorar bem menos para a gente aprender a curtir todos os momentos felizes de hoje, dos quais a gente não se dá conta. Quando a gente é bem jovem acha que a felicidade está lá para a frente. Quando se fica mais velho, a tendência é achar que a felicidade ficou lá para trás. Parem com isso já! Adolescer é muito chato, complicado, comprido, demorado e injusto, mas passa. Envelhecer é somente injusto e passa ainda mais depressa do que a adolescência.
Vamos nos alegrar com o hoje. Hoje somos seres mais perfeitos do que fomos ontem. Hoje resolvemos melhor os nossos problemas, hoje lidamos melhor com as variantes e com os intempéries. Hoje rimos do passado e estamos mais preparados para rir do futuro. Hoje gostamos mais do que nos tornamos e menos do que planejamos nos tornar. Hoje ligamos o foda-se num piscar de olhos. Hoje as pessoas te respeitam porque você se respeita. E como informação adicional para aqueles que ainda não chegaram aos 35 ou ainda não estão felizes, foi realizado em Madrid o I Congresso Internacional da Felicidade e os participantes foram unânimes em dizer que depois dos 35 anos estamos mais aptos a dizer que a infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Está esperando o que? Mãos à obra.

10 de mar. de 2007

Viajar é mala

As pessoas simplesmente amam viajar para todos os lugares, para quaisquer lugares, para onde quer que seja, para o fim do mundo, para bem pertinho. Não importa o destino, as pessoas querem se locomover daqui para lá e de lá para cá e querem chamar isso de viagem Não importa para qual lugar do mundo você viaje, qualquer viagem restringe a vida das pessoas a um quarto de hotel e uma mala, ou a um quarto de hotel e várias malas. E tendo em vista que em um quarto de hotel não tem nada que nos pertence e é um lugar totalmente impessoal, durante o período da viagem, a nossa vida fica restrita a uma e tão somente uma, mala. De repente, tudo que nos pertence não está mais perto de nós. Com sorte você conseguirá levar tudo o que acha que precisa na dita mala, mas vai chegar uma hora que nada que você gostaria que estivesse perto de você está, somente a mala e nesse momento você lamentará não ter levado dez malas. Com sorte a mala caberá no porta malas do carro que você alugou pensando no seu conforto e não no conforto da mala. Se você vai fazer então aqueles passeios pitorescos e animados, sem destino e sem hotel com reserva prévia, ai então é uma festa. Ou você deixa as malas no carro e corre o risco de voltar e não ter mais nem as malas na vida, ou você carrega a mala de porta em porta de hotel e nesse momento você se orgulhará de nao ter levado dez malas. Isso se a mala não extraviar, porque se isso acontecer, você vai passar toda a viagem tendo que correr atrás da mala. Não há paisagem, monumento ou museu que te faça esquecer que, naquele momento, você não tem nada na vida, além da roupa do seu corpo e vai desejar ardentemente não ter feito a besteira de restringir a sua vida a uma mísera mala.

8 de mar. de 2007

Você tem ciúme de quê?




Você ja reparou que as pessoas ciumentas morrem de ciúme de alguma coisa que a outra pessoa "faz" e não exatamente da outra pessoa? Sim, porque a pessoa amada muda, mas nunca mudam o fatos que adoecem a criatura ciumenta. Ciúme é uma lamentável enfermidade congênita que, se você nasceu com ela, certamente morrerá com ela. Quem tem ciúme, por exemplo, dos colegas de trabalho da pessoa amada, sempre terá, não importa onde a pessoa trabalhe, com quem e nem em quais circunstâncias. Se ele trabalhar com loiras, lindas e inteligentes será lastimável, e se trabalhar somente com vários marmanjos barbados será lastimável também. O ciumento vê o resto do mundo como potenciais riscos à sua segurança. A insegurança e a falta de auto-estima do ciumento é tanta que estar junto com o outro não é suficiente, é preciso torturar, torturar e torturar até o derradeiro pé na bunda, que um dia ou outro chegará. A pessoa ciumenta se incomoda com absolutamente tudo. O outro não pode suspirar sem que o ciumento ache que foi um suspiro causado por uma lembrança inusitada e, claro animada, de uma situação especial, da qual o ciumento não participou. Até explicar e convencer o ciumento que foi somente e tão somente um suspiro, você já terá comprometido o jantar, o cinema e a trepada dos próximos três meses. E não adiantam juras de amor eterno para o ciumento, pois ele está sempre cego e muito mais preocupado com aquilo que o outro não fez e talvez jamais fará.

5 de mar. de 2007

Ser diferente é normal



Gente normal é muito chato. Gente normal não se diverte com coisas que saem errado e que fazem toda a diferença para tornar a vida mais agradável e divertida. Gente normal não gargalha alto, não espirra alto, não confunde alto executivo engravatado com segurança de shopping center, não se perde fazendo o oito nos viadutos de São Paulo. Gente normal não vai à Mitsubish quando quer comprar um carro Toyota. Gente normal não se perde em Congonhas, vendo milhares de aviões sobrevoando a sua cabeça, não derruba o cone quando o comando policial pára o carro para pedir documentos, enfim gente normal não faz um monte de coisas divertidas. Mas afinal, o que é ser normal? O que é ser anormal? Alguém tem uma resposta precisa para essa pergunta? Claro que não, pois cada um tem uma visão pessoal e individual de normal e de anormal. Por esse motivo, eu prefiro dividir as coisas de outra maneira. Prefiro dividí-las entre saudável e não saudável, para facilitar a minha própria análise. Tudo que é natural é saudável, tudo que é divertido é saudável, tudo que nos dá prazer é saudável. É preciso estar sempre atento ao que é saudável e nunca ao que é normal, porque você pode estar perdendo milhares de oportunidades saudáveis, apenas para querer parecer normal!

3 de mar. de 2007

"Até que a morte os separe"

Será? Eu, particularmente acho que sim ou pelo menos, deveria ser assim. Casamentos deveriam durar a vida toda. Um apenas, um lindo e imaculado casamento. Tenho uma opinião simplória sobre casamentos. Se for muito, mas muito bom mesmo, tem que ser somente um...na vida. Se for ruim, tremendamente ruim, tem que ser somente um e pronto. Primeiro, você não vai arrumar dois homens maravilhosos nessa vida para casar-se com eles e, segundo, ninguém deveria ser tão burro para querer repetir uma experiência desastrosa. Casamentos que nascem para durar a vida toda respeitam três princípios básicos: respeito à individualidade do outro, respeito à individualidade do outro e respeito à individualidado do outro. Sem esses três ingredientes não há casamento que dê certo. Você não se adona do sujeito porque casa com ele. Que mania que esse povo tem de querer virar dono do outro. Deixa o outro viver sossegado. Quem tiver que fazer algo, que a outra parte considera errado, vai fazer de qualquer maneira, então relaxa! E parem de querer paixão o tempo todo! Quem falou que paixão não está planejada para durar, no máximo e tão somente, dois anos. Sim, dois anos, isso é científico e o ser humano não pode viver apaixonado ou não conseguiria cumprir seus papéis primários e básicos para fazer valer o dito cujo contrato. E de mais a mais, quem aguentaria mudar de marido de dois em dois anos para viver somente em estado de paixão? Paixões teimam em morar do outro lado da cerca. Além disso, existem as famosas e assustadoras pensões. Conheço homens que se casam tanto, mas tanto, que o salário não é suficiente para sustentar tantas famílias. Por tudo isso, e para ser prática, sou adepta ao casamento "até que a morte os separe". Afinal de contas, o objetivo final é encontrar a melhor forma para ser feliz, até que a morte nos separe... da vida!!!