
Com o intuito de catalogar os vícios e controlar os instintos básicos, foram criados dois tipos de pecados: os perdoáveis com o sacramento da confissão e os capitais, esses sim, merecedores de condenação. Acho que foi uma boa forma que encontraram para nos fazer sentir culpados por estarmos infringindo, a todo momento, um ou dois dos pecados capitais. Em contra-partida, e para que nos sentíssemos ainda mais culpados, a Idade Média nos brindou com as sete virtudes cardinais para que fiquemos olhando para elas e pensemos "como eu estou cada dia mais longe de chegar perto de uma dessas virtudes" . A saber, a luxúria se opõe à castidade, a avareza à generosidade, a gula à temperança, a preguiça à diligência, a ira à paciência, a inveja à caridade e o orgulho à humildade. Analisando friamente os pecados e comparando-os com as virtudes, fica muito fácil despencar para o lado dos pecados. Na verdade, vamos quase que naturalmente para eles sem grandes esforços e sem grandes alardes. Em um piscar de olhos e com uma leveza ímpar uns três já são cometidos de saída. Dizem que a prática das virtudes protege as pessoas contra as tentações dos pecados. Eu particularmente acho que é uma tremenda sacanagem fazer pecados tão simpáticos e atraentes contra virtudes tão inalcansáveis e difíceis de serem praticadas. Quem desenhou esse modelo devia estar com um mau humor do cão naquele dia. Criam-se as ceias de Natal e não pode-se cometer a gula, as espreguiçadeiras colocadas à beira mar não podem conter a preguiça. A Hilux do vizinho não pode contemplar de maneira nenhuma a inveja. Um chefe te aporrinhando o saco não pode te deixar irado. Não se pode ser avarento nem de vez em quando e a luxúria, ah a luxúria que só de ser mencionada já nos leva para os pensamentos mais impuros. Dizem ainda que se colocadas em ordem crescente de santidade, a castidade vem em primeiro lugar, seguida da generosidade e vamos parar por aí que é muito pecado para uma pessoa só sair carregando sozinha, embora eu tenha certeza que nessa, eu não estou sozinha.





