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8 de abr. de 2020

Nosso Luto pela Pandemia





Depois de 4 anos sem inspiração para escrever neste blog, volto a visitá-lo e, quem sabe até ressuscitá-lo, em meio a uma pandemia que assolou o nosso planeta. Nesse momento, todas as vertentes criaram voz e cada um dá a sua opinião sobre a crise, como se estivéssemos jogando uma grande partida mundial de futebol.

Não estamos. Estamos, sim,  diante de um grande luto por perdas que ainda nem sabemos quais serão. Uma pessoa querida falou que "estamos entre o tic e o tac do relógio". Deve ser bem assim que a maioria se sente.

Quero contar que você não está sozinho nessa e que durante esse processo você transitará pelas 5 fases do luto, cunhadas por Elizabeth Kubler Ross, médica, pioneira na investigação da morte e do morrer. Porém uma perda não é somente proveniente da morte. Uma perda pode ser significativa e diferente para cada ser humano. Nesse momento, vivemos coletivamente, a perda da nossa liberdade, do nosso futuro que ficou suspenso, de nossos planos e projetos e de nossos ideais. Estamos todos suspensos por tempo indeterminado.

Todos nós, sem exceção, iremos experimentar e transitar por pelo menos uma ou várias das cinco fases que são as seguintes:

Negação: A perplexidade tomou conta de todos e a primeira coisa que pensamos foi que não era verdade, não podia estar acontecendo, no Brasil não temos nada assim ou até mesmo, no Brasil sempre dá tudo certo e não seremos atingidos.

Raiva: Em alguns momentos sentiremos muita raiva, da pandemia, dos chineses, dos políticos, das lideranças, dos nossos familiares, dos amigos, dos cônjuges ou de todos juntos. É uma raiva pessoal e cada pessoas irá expressá-la de uma forma.

Barganha: Nessa fase faremos promessas, rezaremos muito, recorremos a Deus ou quem for do nosso credo para que, em troca de algo que façamos, recebamos um milagre, uma mudança radical no rumo que a coisa toda tomou.

Depressão: Depois de percebermos que as coisas todas que fizemos, pensamos ou oramos não funcionou poderemos se visitados por um período de depressão. Momentos de choro, tristeza, isolamento e reflexão estarão presentes nessa fase.

Aceitação: Apesar da consciência que esse não é um momento feliz, cada um encontrará uma forma de conviver com a realidade dos fatos. Nessa fase, passamos a trabalhar com uma expectativa mais tranquila e que acaba aumentando a nossa capacidade para novos olhares e perspectivas.

Vale lembrar que as fases não são lineares, nem todos passarão por todas e as pessoas poderão transitar entre elas em diferentes momentos. Muito provavelmente, todos passarão por pelo menos duas delas.

Como você pode ver, você não está sozinho e transitar por essas fases, encarando nossas perdas,faz de nós mais humanos e menos solitários.




17 de fev. de 2016

Pecado


Quero inventar meu próprio pecado

Quero morrer do meu próprio veneno.

13 de dez. de 2015

2 de nov. de 2015

Véspera de Finados


Amanhã será dia de lembrarmos oficialmente dos nossos mortos. E é essa memória que os manterá vivos até que nós mesmo não estejamos mais aqui para nos lembrarmos deles. E então quando já não estivermos mais aqui só restará a possibilidade de que alguém, em algum lugar, se lembre de nós, pelo que fomos de bom, de ruim e de memoráveis.  E assim seguirá a roda da vida e da morte. Mas o curioso mesmo dessa minha vinda até aqui, depois de muito tempo sem inspiração para escrever é que hoje, depois de perambular de pijamas (ainda estou) para lá e para cá, sentei-me em frente ao computador. Como rotina, sempre tenho uns cinco ou seis livros empilhados na minha estante, que são os que estão sendo lidos ou preferidos e assim sendo, faço pequenas viagens entre a tela do computador e a estante de livros ao meu lado. Esse é um dos meus lugares escolhidos para ler, pois posso fazer consultas, distrair-me, dar um tempo da leitura enquanto navego.  Hoje, olhei para a direita e peguei um livro de crônicas da Martha Medeiros e abri aleatoriamente, para um leitura rápida. Abri uma página qualquer e a crônica se chamava "O último a lembrar de nós" e falava exatamente sobre a véspera de finados e exatamente como eu percebo a lembrança após a morte.  A data em que a Marta escreveu a crônica era 01.11.2009, exatos seis anos antes.  Engraçada como a sincronicidade está presente em nossas vidas sem que prestemos atenção a ela. Preferimos chamá-la de "coincidência". Se ficarmos atentos veremos que elas são muito mais que coincidências. Hoje, por exemplo, era o dia de eu refletir o que o livro Feliz por Nada, da Martha tinha a me dizer. Essa crônica dizia "a gente vive até o dia que morre a última pessoa que lembra de nós". Interessante "coincidência"...

19 de jul. de 2015

15 de mar. de 2015

Você me bagunça (O teatro Mágico)




Você me bagunça e tumultua tudo em mim
Essa moça ousa, é musa e abusa de todo meu sim
Você me bagunça e tumultua tudo em mim
E ainda joga baixo, eu acho, nem sei
Só sei que foi assim
Assimila, dissimula, afronta, apronta
Diz: "carrega-me nos abraços"
Lapida-me a pedra bruta, insulta
Assalta-me os textos, os traços
Me desapropria o rumo, o prumo
Juro, me padeço com você
Me desassossega, rega a alma
Roga a calma em minha travessia
Outro "porquê"
Parece que o coração carece e diz: "para!" Silencia
Se embrulha e se embaralha
Reconsiderar o ar, o andar
Nossa absolvição, a escuta e a fala
Nos amorizar o dia, a pia, o corredor
A calçada, o passeio e a sala
Se perder sem se podar e se importar comigo
Aprender você sem te prender comigo
Difícil precisar quanto preciso
Difícil precisar quanto preciso

21 de jan. de 2015

Não culpem as rochas

Um dia seremos pedra. Ou estaremos sob elas. Quiça estaremos muito acima delas. Ou sufocados pelas mesmas. Teremos que nos encontrar com todas as pedras que engolimos, ou atiramos. A certeza desse encontro só não incomoda os tolos. Aqueles que se julgam além das pedras. Incrível como algumas pessoas não aprendem com as experiências, com o tempo e com as pedras. Algumas pessoas serão sempre fragmentos que não encontram a sua totalidade. Nunca se tornarão rochas pelo simples fato de se contentarem em ser fragmentos. Fragmentos de vida, de história, de vivências. Fragmentos frágeis que não encontram meios de se consolidar. As rochas incomodam. O que os fragmentos não sabem é que ninguém nasce rocha. Ser rocha demanda auto-conhecimento, trabalho árduo, investigações, pesquisas, experimentos. É muito mais fácil ser fragmento e odiar a rocha do que se auto-conhecer e encontrar seus meios de consolidar-se. As pessoas tem medo de evoluir e encontrarem-se com elas mesmas. A pior convivência é consigo mesmo, quando você não sabe com quem está convivendo. Viver sob o mesmo teto e não saber com quem pode ser uma das piores experiências que um ser pode experimentar. Jung, em sua profunda sabedoria, escreveu "Qualquer árvore que queira tocar o céu precisa ter raízes tão profundas a ponto de tocar o inferno". Poucos são aqueles que tem coragem, ousadia e determinação para tocar o inferno. Se não quiserem, não toquem, mas depois, não culpem a rocha.