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3 de abr. de 2007

Me dá um tempo...


Eu preciso urgentemente de mais tempo. Tempo para dormir, tempo para acordar, tempo para respirar e tempo para conversar com quem tem mais tempo. Tempo para andar a pe. Tempo para terminar o que comecei. Tempo para ler o que ainda não li. Preciso de tempo para dar atenção, tempo para parar de correr. Preciso de tempo para entender o que ainda não entendi e tempo para deixar de entender aquilo que quero esquecer. Tempo para redimir as minhas culpas, dirimir os meus pecados e lapidar os meus medos. Tempo para parar de olhar o relógio e tempo para olhar os que estão ao meu lado. Preciso de tempo para remir e tempo para pedir perdão. Tempo para criar, tempo para inventar, tempo para desmoronar e tempo para erigir. O tempo é sinistro e não quer me dar tempo. Tempo passado é tempo perdido. Tempo futuro é tempo temido. Tempo presente é tempo indefinido. Tenho medo de perder o tempo, mas tenho muito mais medo que o tempo acabe me perdendo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Ah, essa sociedade moderna... parece que estamos trabalhando o tempo todo... parece que estamos conectados o tempo todo... parece que estamos interagindo o tempo todo, com o mundo todo e com todo mundo... não, nós não precisamos de mais tempo, pois se o tivéssemos estaríamos fazendo as mesmas coisas, só que por mais tempo... acho que o que nós precisamos é de uma vida mais livre, sem muita eletrônica, sem muita conexão, sem muita luta diária para entregar tudo na hora... sem essa busca pelo menor custo e por mais produção... o ser humano corre tanto atrás de coisas que não interessam e só desperdiça o tempo de viver... mas o tempo que passo aqui nunca é desperdiçado...

Anônimo disse...

Tempo para sentir.Alegria ou tristeza, mas sentir.
Aceita sugestão de leitura? Aqui vai: Sobre a brevidade da vida, de Sêneca.( pouco mais de cem páginas).

Luísa

Anônimo disse...

Ah...

"Não recebemos uma vida breve,
mas a fazemos; nem somos dela carentes,mas esbanjadores" Sêneca.

Luísa

Anônimo disse...

Bonito esse texto desabafo nestes tempos de pós modernidade. Ninguém consegue definí-lo. E ele sempre está, como escreve Galeano, parado e mudo.
E vale a trovinha:
O tempo perguntou pro tempo
quanto tempo o tempo tem...